sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Experiência positiva de desenvolvimento sustentável em assentamento


Estreitar ideologias de como trabalhar o cultivo da terra em assentamentos etentar diminuir o índice de derrubadas de árvores em setores de conservação ambiental são bases das políticas públicas da reforma agrária no Brasil.
A busca para a formação de uma linha de pensamento comum resultou na criaçãodos Projetos de Assentamento de Desenvolvimento Sustentável (PDS).Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA),existem 14 projetos e uma unidade de conservação - Reserva ExtrativistaTapajós-Arapiuns, no Oeste do Pará. Os assentamentos rurais estão envolvidos diretamente com esses projetos, que visam controlar os conflitos sociais nocampo. A preocupação dentro das áreas é quanto ao desmatamento acelerado pela falta de alternativas de renda para o povo da floresta.
De acordo com a gerente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dosRecursos Naturais Renováveis (IBAMA), em Santarém, Poliana Mary Guimarães,70.655 m³ de madeira foram apreendidas no Pará em junho de 2008. O maior índice de desmatamento ocorreu no Estado do Pará (63%), seguido por MatoGrosso (12%), Rondônia (11%) e Amazonas (10%). Os demais Estados contribuíram com cerca de 4% do desmatamento. Essa retirada acontece por diferentes motivos: o corte ilegal de árvores, plantação de grãos, campo para criar gado, grandes roçados com queimadas.
Para evitar maiores problemas de desmatamento, a Empresa de AssistênciaTécnica e Extensão Rural (EMATER) e o INCRA desenvolvem cursos decapacitação para os agricultores, com o objetivo de orientá-los na exploração dos recursos naturais com base na lei ambiental. São cursos de apicultura, piscicultura, artesanato, produção de farinha, plantios de mudas e a realização de festivais comunitários.
Para o técnico da EMATER, em Santarém, Emivaldo Rabelo "um grande exemplo dessa parceira é o assentamento do Eixo Forte, que abrange 10 comunidades e que vem comprovando resultados positivos. Entre elas, está a vila de SantaLuzia, na Rodovia Everaldo Martins, km 8, com aproximadamente 25 famílias sobrevivendo do cultivo do açaí.
"Aos produtores de Santa Luzia, que tinham a ilusão de ficar ricos com a criação de gado, restaram apenas lembranças, algumas cabeças de gado para puxar carroças. Os pastos, que eram uma grande área desmatada agora são explorados de forma sustentável, através da adubação orgânica e o manejo do plantio do açaí nativo e da espécie parazinho.Essa estratégia veio para suprir a demanda sobre o fruto depois da criação do Festival do Açaí, realizado anualmente na primeira quinzena de outubro.
A espécie nativa não abastece a exigência dessa atividade cultural egastronômica, por levar 5 anos para frutificar, enquanto a espécie parazinho leva apenas 3 anos.Segundo o agricultor João de Sousa Queiroz, o plantio da espécie parazinho vai resolver o grande problema da compra do produto em comunidades distantes.
"A cada ano aumenta o número de visitantes no Festival do Açaí,em 2008 foram vendidos 200 litros. Como foram insuficientes, tivemos que comprar da comunidade de Ituqui. No km 20, na rodovia Santarém Curuá-Una."O plantio faz parte do projeto da EMATER denominado de Unidade Demonstrativa: Fruticultura. A comunidade disponibilizou de uma área de10.000 m², que deverá receber adubação natural, composta por palmeiras derrubadas adicionadas de palhas de arroz. Após esse processo vão serplantadas 1600 mudas de açaí parazinho, de bananeira e cupuzeiro.A exemplo do açaí de Santa Luzia, as técnicas coordenadas pela EMATER servem de apoio para o trabalho e adaptação na produção de recursos nativos. "Essa é a verdadeira sustentabilidade necessária para o equilíbrio ambiental,principalmente com a redução do desmatamento na comunidade,"confirmou o agricultor João Queiroz.


Por:Ailanda Tavares e Alciane Ayres